quinta-feira, 31 de maio de 2012


Ali Babá só enfrentou 40


A auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do sector rodoviário, hoje publicada, apresenta conclusões que apontam, de forma inequívoca, para a existência de um comportamento deliberado do Governo liderado por José Sócrates (e em que era Secretário de Estado Paulo Campos) de sonegação de informação ao Tribunal de Contas e de violação de elementares interesses do Estado. Mais, e em concreto, tal Governo terá promovido a celebração, no âmbito das PPP, de contratos paralelos que importaram o agravamento das condições financeiras a suportar pelo Estado em 705 milhões de euros. A confirmar-se tal situação, todos devem assumir as suas responsabilidades. Desde logo, a Procuradoria-Geral da República, a quem se pede que, por uma vez, cumpra com diligência e competência as suas obrigações, promovendo a investigação que se impõe para determinar a viabilidade da responsabilização, em primeira linha, dos membros desse Governo envolvidos neste esquema predatório do erário público. Mas, também, das concessionárias e entidades bancárias envolvidas na assinatura dos contratos paralelos, cujas consequências e intuitos não podiam desconhecer. Por outro lado, o PS tem a estrita obrigação de tomar uma posição clara sobre este assunto, uma vez que é o partido que suportou politicamente esse Governo e  tem como militantes e deputados da sua bancada parlamentar os autores de tais actos. A gravidade da matéria não permite que António José Seguro a ignore ou a desvalorize, sob pena de comprometer irremediavelmente qualquer réstia de credibilidade. Por último, o actual Governo deve ser consequente com os factos apurados, recusando-se a efectuar qualquer pagamento previsto nos ditos contratos paralelos e promovendo a desvinculação jurídica do Estado português de quaisquer obrigações ali previstas. Se isto não for assim, teremos de concluir que Ali Babá teve muita sorte pois só teve de enfrentar 40 enquanto os portugueses se debatem, a cada dia, com muitos mais.

terça-feira, 24 de abril de 2012

TROPA FANDANGA


Parece que a defunta associação 25 de Abril e o vetusto pai Soares resolveram fazerprova de vida anunciando que não participarão nas celebrações oficiais da data, aquela com o argumento de que “As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável” e este em solidariedade com a dita associação.
Se têm razão quanto à violência dos sacrifícios a que os Portugueses estão submetidos, o que cabe perguntar é porque só acordaram agora e não antes, quando participaram ou simplesmente calaram ao sermos conduzidos para o caminho da bancarrota.
É que esse caminho começou logo nos alvores da revolução e prosseguiu, apoteótico, ao longo destes quase 40 anos, com a demagogia dos sucessivos governos.
Desde as nacionalizações e a destruição da economia nacional, logo no tristemente célebre PREC, ao abandono da agricultura e da pesca, à desindustrialização do País,  à assumpção de encargos anuais de dezenas de milhares de milhões de euros com o funcionalismo e a burocracia de Estado e com prestações sociais concedidas sem as devidas contrapartidas contributivas, no caso das reformas (e não me refiro às mínimas), ou mesmo sem qualquer prestação de trabalho, como no caso dorendimento social de (des)inserção, passando por errados e ruinosos investimentos públicos, seja nas chamadas SCUT ou em obras faraónicas de utilidade económica nula ou duvidosa.
Esquecem também a indigência cívica e moral em que se encontra Portugal, com um Estado corrupto, um empresariado subsidiodependente, uma juventude abandonada, uma escola a saque, uma sociedade envenenada pela boçalidade imperante nosmedia, um exército de políticos devoristas que semearam a miséria social e comprometeram o nosso futuro colectivo enganando sistematicamente os eleitores com promessas vãs, que sabiam não poder cumprir.
Quanto ao novo governo, deixem-se essas ricas comadres de tretas que ele está simplesmente a limpar o lixo em que os camaradas transformaram o País.
Faz bem a associação do reumático em não aparecer no 25/4.
Quanto a Soares, o tal que, há dias, vendo o motorista (sim, que a excelência tempópó e chauffeur pago pelo povo) autuado, vomitava que “O Estado é que vai pagar a multa”, faria igualmente bem corando de vergonha ao lembrar as suas responsabilidades na descolonização exemplar e, mais tarde, nos famigerados tempos do guterrismo e do sócretinismo. Como, porém, a não tem, fique-se a cevar na sua fundaçãozinha paga com o dinheiro dos contribuintes.
De qualquer modo, fazem bem em não aparecer porque os Portugueses, arruinados, desempregados, temerosos do seu futuro, também não têm razões para comemorar a dita murcha data.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Parábola das PPP´s

"Aqui há uns anos o ministro de um país moderno decidiu dinamizar as exportações. Foi ter com um fabricante de frigoríficos com quem travou o seguinte diálogo:


Ministro: Olhe lá, o governo tem um projecto para dinamizar as exportações. Verificamos que não exportámos para o Pólo Norte, verificámos ainda que o Pólo Norte tem a menor quantidade de frigoríficos do mundo. Vai daí surgiu uma ideia: vamos exportar frigoríficos para o Pólo Norte. Quer ser o nosso parceiro?

Fabricante de frigoríficos: Depende. Dão-me umas cláusulas leoninas no contrato?

Ministro: Não pode ser. Temos que defender o interesse público.

Fabricante de frigoríficos: Então não estou interessado.

Ministro: Ok. Dou-lhe 2 cláusulas leoninas.

Fabricante de frigoríficos: 4

Ministro: 3

Fabricante de frigoríficos: Ok. De acordo.

Ministro: Negócio fechado?

Fabricante de frigoríficos: Ainda não. Só uma perguntinha: quem fica com o risco de os frigoríficos não se venderem?

Ministro: Você, claro. Você é que é o empreendedor.

Fabricante de frigoríficos: Bem, então não me interessa.

Ministro: Ok. Nós ficámos com o risco.

Fabricante de frigoríficos: Negócio fechado.

entretanto...

Fabricante de frigoríficos: Ei, Ministro, espere lá. E nos próximos governos, que garantias tenho eu de que os novos ministros sejam assim gente com visão, e respeitem o nosso acordo?

Ministro: Ó homem, você não vai fazer um contrato comigo, mas sim com o Estado. E quem o vai redigir é quem nós sabemos - fica uma coisa à prova de bala. E não se aflija: o negócio vai correr bem, era preciso que o País ficasse à beira da bancarrota para o Amigo arriscar realmente alguma coisa. E isso não vai suceder, pois não?

Fabricante de frigoríficos: Claro que não. Negócio fechado.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Damnato Memoriae

O Senado Romano, quando queria eliminar a memória do Imperador recentemente morto, proclamava o Damnato Memoriae, disposição que autorizava a destruição de todas as referências, escritas e físicas, do tirano que queriam esquecer.Vem isto a propósito do artigo de opinião que Miguel Sousa Tavares escreveu este fim de semana no Expresso.Afirma ele que “ o desporto nacional é o tiro a Sócrates” e que “ o nome de Sócrates é o santo-e-senha que chama a si todos os males e toda a sujidade, limpando todo o resto, agora e para sempre”.Na realidade, os "amigos" de Sócrates, o que querem promover, é exactamente o contrário ( que no Expresso são vários, desde Ricardo Costa que ainda há um ano editou primeiras páginas com notícias falsas para proteger o primeiro-ministro de então, até Nicolau Santos que, falhando enquanto enquanto jornalista e economista , teve a arte de, no decorrer do todo o consulado de Sócrates, não denunciar a grave situação económica e financeira a que a incompetência e irresponsabilidade de Sócrates nos estava a conduzir ). Os viúvos de Sócrates estão em campanha para “limpar” a imagem do ex-primeiro ministro, atirando sobre todos aqueles que viram que o “rei estava nu “, tentando limpar, agora e para sempre, a responsabilidade da bancarrota a que ele, e o seu governo, nos conduziram, e que é responsável pela austeridade que todos temos de sofrer para recuperar algum de conforto económico que nos fez perder.Aqui, o Damnato Memoriae, é exactamente esse: querem lavar o cérebro aos portugueses para que estes esqueçam o mal que nos fez.Mas não vão conseguir.Os portugueses já votaram a sua opinião: despediram o “aldrabão, incompetente e irresponsável que nos conduziu à bancarrota” e não vão esquecer-se do que aconteceu, para que não venha, este ou outro aprendiz de tiranete, tentar fazer o mesmo novamente.Como as sondagens, deste último fim de semana, novamente comprovam ( sempre que as sondagens confirmem que os actuais partidos do governo mantêm a maioria, aconselho MST a perceber a leitura mais básica desse resultado : o que os portugueses exprimem é "apoiamos este governo nesta situação difícil que estamos a viver para ultrapassar a bancarrota que o anterior governo nos deixou").

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

VICIADOS NA MENTIRA

Tínhamos todos certificados de habilitações que não serviam para nada passados pelas Novas Oportunidades. Pontes e tolerâncias e ponto consagrados como direitos constitucionais. Todos os dias eram dias históricos porque um evento com a devida cobertura mediática assim o garantia. Éramos todos tão felizes. As principais questões do país eram quem podia casar com quem. Éramos um verdadeiro salão de festas. Medina Carreira era um tremendista. Os ordenados dos funcionários públicos aumentavam 2,9 num ano. E íamos ter aeroportos, TGV, auto-estradas para todo o lado… Essa mistificação acabou neste dia

Sócrates e Alberto João foram o lado mais grotesco dessa ilusão mas estão longe de ser os únicos. Anda para aí uma legião de gente que todos os dia inventa uma indignação para justificar não se ter feito antes o que se devia. Confesso que tenho pouca paciência para essse exercício de auto-indulgência mas reconheço que funciona num país que se viciou na mentira. Mas o que se espera é que PS e PSD apresentam propostas ideologicamente sustentadas para o país. Que o PS deixe de andar a fazer de conta que é a água oxigenada deste estado que vive acima das sua possibilidades: onde é que estão as propostas socialistas para governar como socialistas sem nos arruinar? E que o PSD se deixe de esconder atrás da troika para justificar as medidas que se estão a tomar.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

As moscas e os tachos não são só na politica

A propósito das recentes nomeações para uma das empresas do Estado, veio à baila novamente a conversa do “tacho” e das das “moscas” que são sempre as mesmas. Por vezes, até pode ser verdade, mas quem tem moral para criticar?

Dizem que na política são sempre os mesmos. No governo, na Assembleia da República, nas Empresas Públicas. Mas a verdade é que se passa exactamente a mesma coisa nos restantes sectores da sociedade portuguesa.

A começar por quem mais critica os políticos, os Comentadores. Há anos que são os mesmos apesar de não acrescentarem ou esclarecem algo. Marques Lopes, Adão e Silva, Clara Ferreira Alves, Daniel Oliveira, Marcelo Rebelo de Sousa.

Nos Sindicatos, que se desvirtuaram e hoje são autênticos braços armados dos partidos políticos, temos homens como João Proença e Carvalho da Silva há 30 anos! Mas também Bettencourt Picanço e companhia, noutros sindicatos.

E por falar em Corporativismo, já não enjoa na Saúde ver a cara do Francisco George ou do Eduardo Barroso? E na Justiça Pinto Monteiro, Cândida Almeida, Rogério Alves, José Miguel Júdice, Proença de Carvalho, Moita Flores.

Mas também na Música são sempre os mesmos. Qualquer programa musical de TV tem de ter a Simone, o Fernando Tordo, o Paulo de Carvalho ou o Fernando Mendes. Só não aparece o Zeca Afonso e a Amália porque já morreram.

Se passarmos à área da Representação, mesmo com o boom de actores da era Morangos com Açúcar, parece que só existem a Eunice Muñoz, o Nicolau Breyner, o Tozé Martinho, o Herman José, o Virgílio Castelo ou a Alexandra Lencastre.

O Desporto não é diferente. É só futebol e as mesmas caras: Gilberto Madaíl, Pinto da Costa, Valentim Loureiro. E quanto a atletas é só Eusébio, Figo e Ronaldo. No meio de tanta bola aparece por vezes a Rosa Mota.

No mundo dos Negócios apenas interessa ouvir os banqueiros Ricardo Salgado, Fernando Ulrich e Santos Ferreira. Ou então os “génios” que sustentam o seu sucesso no monopólio que têm: Zeinal Bava, António Mexia ou Ferreira de Oliveira.

Mas não acaba aqui. Na área Militar parece só haver um especialista, o General Loureiro dos Santos. Na Arquitectura a dupla Siza Vieira / Souto Moura, e o resto é paisagem. Na Pintura é Paula Rego e nada mais.

Mas nós gostamos e continuamos a alimentar este “sistema dos mesmos”, que foi precisamente o que nos trouxe até aqui. É que o país não está mau só de Finanças. Basta olhar para as áreas que referi e ver como estagnamos há anos.

A sociedade portuguesa (principalmente a comunicação “dita” social) cultiva este “sistema dos mesmos” e nunca deu espaço para a renovação. Mas no final de contas, os políticos é que são os únicos maus da fita.

domingo, 8 de janeiro de 2012

EMIGRAÇÃO


> "A propósito de uma suposta recomendação de emigração dirigida a jovens licenciados".

O ruído que tem vindo num crescendo, com acusações e insultos à mistura, a propósito de meia dúzia de frases logo deturpadas a jeito por quem nelas quis ler o que lá não estava mas convinha ao ataque a quem o disse, não tem a ver com o que um ou outro ministro diz sobre matéria de emigração ou emprego, muito menos com uma preocupação genuína com o futuro de milhares de jovens desempregados, mas parece, sobretudo, uma arma de arremesso, a denunciar, mais uma vez, a grande preocupação dos políticos que temos pelo que se diz ou não diz, mais , muito mais, parece, do que pelo que efectivamente se faz ou deixa de fazer. E é assim, com atoardas lançadas no meio da confusão da desinformação sensacionalista que gente inteligente e bem formada se deixa ingenuamente arrastar para a absurda defesa de concretização de um direito moral de emprego num país sem cheta, com as empresas a afundar e os desempregados a aumentar.

E condena-se assim quem naturalmente reconhece valor aos jovens que desejam iniciar a sua vida profissional e tentam fazer pela vida lá fora, como muitos de outras gerações já fizeram antes e um pouco por todo o mundo se vai fazendo há muito. É gente bem preparada, que tem valor, disposta a fazer-se gente e a ganhar o próprio sustento com trabalho honesto, procurando mais ou menos longe da terrinha onde nasceu uma oportunidade que a nossa penúria resultante dos desgovernos de incompetentes e corruptos não lhes pode dar cá dentro. Mas, com tanto histerismo condenatório, amaldiçoando a ideia de emigração forçada, como se outra houvesse mais ao gosto de aventura, dir-se-ia que preferem esses indignados opositores a qualquer ideia de emigração de jovens que os garotos vão ficando por aqui, talvez arrumando carros, talvez, com mais sorte, prateleiras de supermercado... ou vivendo indefinidamente à custa dos pais.

Como inventar empregos onde os não há?! Como fazer nascer empregos sustentáveis à força de subsídios com dinheiro que não temos e nos é emprestado a peso de ouro?! Por mim, não tenho dúvidas de que prefiro mil vezes ter os meus filhos a ganhar a vida honestamente lá fora do que a puxar o lustre a esquinas e sofás numa choradeira gritada de não lhes darem (!) empregos. Serei só eu?! Ou eu e mais uma multidão silenciosa que pensa mais ou menos isto e em nada se identifica com quem mais berra o seu contrário?

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

NEGÓCIO DA CHINA NO CAFÉ


> Sem dúvida que é à mesa do café que se entrecruzam as mais diferentes conversas sobre os temas mais díspares. A conversa que ides ler aconteceu. Parece absurda, surrealista, inimaginável mas aconteceu. E quem sabe lá se o especialista em assuntos sobre a China é que está certo...

- Viva, Alberto! Senta-te, pá! Estávamos aqui a falar daquele grande negócio dos chineses que compraram a EDP...

- Negócio dos chineses, não! Digo-vos melhor, foi um negócio da China.

- Ó Alberto, que és um dos especialistas que mais sabe sobre os assuntos relacionados com a China já nós sabemos, por isso, é que gostaríamos de ouvir a tua opinião...

- Foi um negócio da China porque em Portugal, infelizmente, e mesmo depois de termos estado quinhentos anos em Macau ainda não aprendemos a conhecer os chineses e muito menos a fazer negócios...

- Então, diz lá!

- A coisa é assim: a China anda há muito tempo a pretender entrar na Europa e ninguém lhe abriu a porta, nem alemães, nem ingleses, nem franceses. A China só queria ser proprietária de uma empresa europeia e a EDP serve-lhe às mil maravilas os seus intentos. E ainda por cima de borla...

- De borla, pá?!

- Sim, de borla. Dois, cinco ou dez mil milhões de euros para a China são amendoins. A China agora pode comprar o que quiser. Depois de ter o controlo da EDP vai compra esta, aquela e aqueloutra empresas europeias e tornar o seu sonho uma realidade...

- Qual sonho, pá?

- Os portugueses que negociaram a venda da EDP são burros e não há nada a fazer. Só vos dou um exemplo. Se o Governo português garantisse à China que a EDP seria para eles mas tinham de pagar as auto-estradas que estão por pagar para o povo nunca mais pagar portagem, os chineses pagavam. Se lhes dissessem que tinham de construir uma ponte sobre o Tejo e um TGV até Espanha, os chineses pagavam. Se lhes dissessem que era preciso construir o aeroporto de Alcochete, os chineses pagavam. O importante era que em troca Portugal garantisse a EDP. Assim, levaram a EDP por uns míseros dois mil milhões de euros e Portugal ficou a chupar no dedo com dívidas até aos cabelos. A China vai avançar e o seu sonho é conquistar, melhor, ir comprando tudo na Europa. Pois fiquem sabendo que a compra da EDP foi o melhor presente de ano novo que alguém podia dar à China. Eles como donos da EDP não vão parar mais, vão comprar em Espanha, em França, na Alemanha, em Inglaterra e depois irão atacar a Rússia...

- A Rússia, pá?!

- Sim, a Rússia, meus caros! Essa é que é a grande jogada da compra da EDP, esse é que é o sonho chinês e o resto são balelas. Quem estiver vivo daqui a vinte anos dirá que eu tinha razão...

roubado ao PPTO

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SUGESTÕES



A sugestão, feita pelo primeiro ministro, de "emigração" dos professores excedentários, levantou uma pequena vaga de clamores.

Algumas notas sobre as "indignações":

O que os "indignados" parecem esquecer é que não apenas os professores - ou, em boa verdade, aqueles que aspiram a vir a ser professores - que têm problemas de emprego. Engenheiros, arquitectos, licenciados em direito, têm cada vez mais demandado países lusófonos, países da UE, os USA ou países asiáticos, à procura de emprego. Porque razão, então, tanta "indignação" com a afirmação do primeiro ministro? Porque razão é que o Estado tem que se "ensarricar" de professores, só para lhes arranjar emprego, mesmo que eles não sejam necessários...???

O problema de emprego é, em geral, um problema de todos os licenciados, agora "mestres", que "saem" das faculdades, em doses industriais. O problema dos licenciados, agora "mestres", é que verdadeiramente foram enganados quando lhes disseram que tirar um curso superior dava emprego garantido. O que um curso superior dá é, quando muito, formação superior - o que até nem é completamente verdade porque há cada vez mais licenciados, agora "mestres", que são totalmente incultos e ignaros, apesar do "canudo".

O problema do desemprego de licenciados, agora mestres, é que as universidades transformaram-se numa verdadeira "fábrica de chouriços", criando cursos incríveis e "formando" em série gente que, à partida, se sabia que dificilmente ou nunca iriam arranjar um emprego compatível com as suas habilitações.

Em contrapartida, estimulou-se a ideia de que ser-se agricultor ou torneiro-mecânico ou electricista especializado ou canalizador eram profissões menores.
Agora, mesmo que não tenham jeitinho nenhum nem "saibam a ponta de um chavelho" são todos professores, engenheiros, arquitectos, juristas, etc. Mas desempregados...

Talvez assim se compreendam melhor porque se fazem determinas sugestões...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A UNESCO fez o favor de nos roubar

A UNESCO declarou que o Fado, esse luso contra-senso de aceitarmos que o-que-tem-de-ser-tem-muita-força e a cantar, não é afinal património de uma maneira de sentir e ser que conferia aos portugueses um traço de singularidade psicológica e artística – é património da Humanidade.

Foi um confisco, mais uma maneira de os grandes poderes internacionais dizerem a Portugal: “o que é teu é nosso”. Assim como que uma segunda rapinagem do nosso património, depois da infâmia da troika. Desta vez rapinagem pior – porque para enriquecer o património do que designa por “Humanidade” a UNESCO esbulhou-nos mais que património, rapinou-nos a alma. Bem sei que fomos ‘nós’ que lhe pedimos que nos rapinasse, mas também a troika de breve mas má memória cá veio a ‘nosso’ pedido – e todos bem sabemos o que é que a vontade e os interesses dos portugueses têm a ver com isso.

A declaração de ‘reconhecimento’ está feita – e pronto. Há-de certamente vir agora o Governo saudar o feito, chamar a si as habituais glórias que o seu mexer-de-cordelinhos mais uma vez conseguiu e, lembrando que nunca deixou nem deixará de falar a verdade aos portugueses, ensinar-nos a ver em tão prodigiosa conquista um claro aviso do “princípio do fim da crise”.

Mas não é o horizonte do final da crise, não senhores. O modo como os mansos portugueses permitiram, toleram, aceitam e engolem, sempre veneradores e obrigados, leva mais a crer que a crise faz parte do nosso fado. E quem conhece a essência da nacional canção sabe que também a crise faz o Fado.

Que me perdoem a "raça" de Marceneiro, o génio de Amália e o talento de Carlos do Carmo. Com a devida vénia pela arte de Malhoa e a voz de Villaret

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ASNOS

> Louvável iniciativa empresarial a de reactivar a antiga feira de burros da minha terra. Espécie em franco crescimento como se verifica pelas aparições públicas dos mais notáveis exemplares. Qualquer quadrúpede com uns óculos encaixados e um livro a badalar vai passando por distinto doutor apesar do prodígio na asneira e da burrice na ciência.
Com vento nas asas e rédea solta cedo ganham  solenes honrarias que preservam e lhes serve de moldura para registo futuro. O Álvaro e a economia nacional agradecem, principalmente  se a exportação constituir a fatia mais volumosa do negócio com a vantagem da redução de tais bestas nas paradas de ferraduras com diminuição drástica dos competentes coices que nos vão rasgando a pele.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Trade-off Otelo

Trade-off, Otelo
por Rui Rocha | 10.11.11 | 8 denúncia(s)
O Senhor Otelo Saraiva de Carvalho criticou os militares por estes terem prevista uma manifestação para os próximos dias e, de passagem, afirmou que "ultrapassados os limites, devem fazer uma operação militar e derrubar o Governo" sendo que, na sua faiscante e explosiva opinião, "Portugal está a atingir esse limite".
 
Para que a memória não esqueça, recupero a partir do Díário de Notícias o fio de acontecimentos dramáticos da democracia portuguesa e reproduzo o registo das principais datas da história das Forças Populares 25 de Abril (FP-25):
28 de Março de 1980-  Cria-se a Força de Unidade Popular (FUP), organização política de extrema esquerda que viria mais tarde a ser associada às FP-25, consideradas como o braço armado deste partido; 20 de Abril de 1980- FP-25 anunciam o seu surgimento com a publicação do “Manifesto ao Povo Trabalhador”,  que é distribuído por todo o país numa aparatosa operação de rebentamento de petardos; No manifesto as FP afirmam que o seu surgimento acontece para “o derrube do regime, instauração da ditadura do proletariado, criação do Exército Popular e implantação do socialismo”; 5 de Maio de 1980- Primeira acção violenta da organização, em que é assassinado o soldado da GNR Henrique Hipólito, em Meirinhos, Mogadouro, num assalto às agências do Banco Totta e Açores e da Caixa de Crédito e Providência, no Cacém; 13 de Maio de 1980- Assassínio de Agostinho Ferreira, comandante do posto da GNR de Alcoutim; 6 de Dezembro de 1982- Assassínio de Diamantino Bernardo Monteiro Pereira, administrador da Fábrica de Loiças de Sacavém, em Almada; 7 de Fevereiro de 1984- Uma das maiores e mais  emblemáticas “operações de recuperação de fundos” da organização.  Assalto a um veículo de uma empresa de segurança que transportava 108 000 contos (538 701,70 euros); 30 de Abril de 1984-  Morte de um bebé de quatro meses num atentado à bomba na casa da sua família em São Mansos, Évora; 19 de Junho de 1984- Início do desmantelamento das FP-25 com a Operação Orion, coordenada entre a PJ, PSP e GNR. No centro desta operação esteve a rusga efectuada à sede da FUP e posterior ilegalização do partido; 20 de Junho de 1984-  Prisão de Otelo Saraiva de Carvalho; 21 de Setembro de 1985- Evasão de nove membros das FP-25 do Estabelecimento Prisional de Lisboa; 7 de Outubro de 1985- Começa o julgamento das FP-25; 15 de Fevereiro de 1986- Assassínio do Director geral dos Serviços Prisionais Gaspar Castelo-Branco, à porta de sua casa, em Lisboa; 20 de Maio de 1987- Condenação de Otelo Saraiva de Carvalho a 15 anos de prisão pelo crime de terrorismo; 16 de Agosto de 1987- Último assassinato das FP-25. O agente da PJ Álvaro Militão é morto durante uma perseguição a três elementos da organização, em Lisboa; 17 de Maio de 1989- Libertação de Otelo Saraiva de Carvalho; 1 de Março de 1996- Assembleia da República aprova amnistia para os elementos presos das Forças Populares 25 de Abril; 6 de Março de 1996- Mário Soares, então Presidente da República, promulga a lei 9/96, que amnistia as “infracções de motivação política cometidas entre 27 de Julho e 21 de Junho de 1991; 9 de Julho de 2003- Prescreve o processo dos chamados crimes de sangue, no qual quase todos os réus foram absolvidos e dois arrependidos condenados, porque o Ministério Público deixa expirar o prazo para recorrer da sentença para o Supremo Tribunal de Justiça; Junho de 2004 - O então Procurador geral da República, Souto Moura, aplica uma pena disciplinar de advertência ao magistrado Gomes Pereira, a quem estava atribuído, na Relação, o processo FP-25. O magistrado apresenta recurso.
 
Em 2009, o Senhor Otelo Saraiva de Carvalho foi abrangido pelo regime previsto na lei de reconstituição de carreiras e foi promovido a coronel, recebendo uma indemnização de perto de 50.000€, e reclassificado num salário de cerca de 3.500€ por mês. Reformado, recebe a pensão correspondente do estado português.
 
As palavras de Otelo merecem uma resposta. A minha, como cidadão, é mandá-lo com todas as letras para um sítio que rima com Carvalho. A das associações representativas dos militares começa a ser dada. Falta agora a das instituições a quem cabe, em primeira linha, preservar o estado de direito. Isto dito, resta-me apenas explicar o título do post. Embora me apetecesse muito e fosse esse o termo adequado, a minha educação não me permite colocar no DELITO um texto começado por fuck off.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

ANTES ROBALOS QUE ROUBÁ-LOS

Foi em Setembro que se conheceram. Ela, pudica, trazia a face oculta. Eles eram duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir. Ela tinha cabelos louros, ele tinha tesouros para repartir. Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Armando e o teu qual é?" Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela". Estavam 40 graus à sombra na Caparica. Para lá da mata havia uma sucata. Mas, ali da praia não se via pois estava tapada pelos Penedos. Assim ficaram, de mão dada, a ouvir o mar. "Escutas", Cinderela, perguntou Armando. "Escuto, Armando". Emocionado, ele entoou uma canção que o primo José, emigrado em Paris, lhe ensinara ao telefone: " Onira ou tu vudrá, can tu vudrá, Então semera em cordas, lorca lamor sera mor, Tute lavi sera paralela à catamaran, Aos colores denanananam". Ela, que sabia francês, disse-lhe que queria ir a Porto Côvo. Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar. Foram juntos ainda um outro dia, como por magia, no autocarro, em pé. Se fossem vê-los, à tardinha, saberiam que Cinderela teve apetite. Havia um pessegueiro na ilha, plantado por um vizir de Odemira, que estava carregado de pêssegos. Mas, a ilha agora pertencia ao Godinho. "Antes robalos que roubá-los", empertigou-se Armando. Assim disse e assim fez. Foi-se ao mar com uma Vara, uns quantos trouxe e assim os assaram, na praia, ao pôr-do-sol. O tempo foi passando. Armando construiu uma cabana junto à praia. Pediu um crédito à Caixa e outro ao BCP. Mas, para lhe dar consistência, também utilizou cimento. Mais tarde, nasceu uma criança. Chamou-se o médico parteiro, Dr. Pinto Monteiro. A criança era loura e ele separou-a da mãe com a sua própria tesoura. Cinderela prendeu-se de angústias e hesitou na escolha do nome. Armando, impaciente, tomou o assunto em mãos: "decidiremos até que o Sol se ponha". Chamaram-lhe Noronha. E o padrinho foi o Marinho. Fez-se uma festança em casa de um bom amigo que também deu o vinho. Infelizmente, não era grande coisa. Alguns dos presentes ouviram mesmo Armando queixar-se ao anfitrião: "C' amargo, Correia". Os anos passaram e a vida separou-os. Foi em Novembro que Cinderela partiu. Levava nos olhos as chuvas de Março. E nas mãos um mês frio de Janeiro. Armando lembra-se que ela lhe disse que o corpo dele tremia. E ele queria ser forte. Respondeu que tinha frio. Falou-lhe do vento norte da ria de Aveiro. Como ele tremia, meu Deus. Amou Cinderela como nunca amou ninguém. Foi louco? Não sei, talvez! Mas por pouco, muito pouco, ele voltaria a ser louco e amá-la-ia outra vez. Sim, ele sabe que tudo são recordações. Sim, ele sabe que é triste viver de ilusões. Mas, ela foi a mais bela história de amor que um dia lhe aconteceu. Agora, dizem-lhe velhos amigos, o melhor seria mesmo destruir essas escutas recordações para acabar com o sofrimento de vez.

sábado, 5 de novembro de 2011

ABSTENHAMO-NOS DE TER DEPUTADOS

Ontem, no largo do rato, um conjunto de marmanjos decidiu, por votação, o sentido de voto que um outro conjunto de marmanjos, mas diferente do primeiro, irá exercer ali para os lados de S. Bento.

Dito de uma modo mais explícito: uma comissão política de um partido (foi o ps, mas o que é dito vale para qualquer outro partido) decide como os deputados desse partido irão votar, na Assembleia da República, o orçamento do Estado.

Significa isto que os deputados do ps vão fazer uma figurinha não muito diferente da de mandaretes da dita comissão política do seu partido: votam como lhes mandarem.

O orçamento do Estado é sempre um documento de fundamental importância. Nos tempos que atravessamos, mais do que fundamental, é um documento absolutamente decisivo para a nossa sobrevivência presente e futura.

Os deputados são aqueles que o "povo" elege para o representar no parlamento, tomando, por ele, as decisões politicas sobre o país. Por isso, certamente toda a gente pensaria que cabe aos deputados decidir livremente, em cada momento e perante cada assunto a votar, qual o caminho a seguir e por via disso qual o sentido do seu voto. Mas não. Os deputados, fica-se a saber, quando estão em causa assuntos graves do país, nem sequer decidem entre eles o que irão fazer - fazem, tão somente, o que as comissões politicas do seus partidos mandam fazer.
Afinal, eles só estão no parlamento para "levantar o braço" - ou, depois das obras em S. Bento, para carregar no botão de voto.

Os deputados ficam caros, como se pode ver no orçamento da Assembleia. Por isso é de presumir que estejam na Assembleia por terem "miolos" e estarem devidamente preparados e esclarecidos para exercer do melhor modo as superiores funções que desempenham, concordando, discordando, propondo, sempre no sentido de melhorar as decisões colegialmente tomadas.

Por isso, "mandar" um grupo parlamentar inteiro, que é simplesmente o do maior partido da oposição, abster-se em todas as votações do orçamento - votação na generalidade, votações na especialidade e votação final global - não lembra o diabo...

Se é para isto que os deputados estão na Assembleia, mais vale que as decisões sobre votações passem a ser tomadas pelas comissões políticas dos partidos, cujos membros não são remunerados como tal, e depois com um fax ou um email comunicava-se à Assembleia o sentido do voto.

É que ficava muito mais barato - e o resultado seria exactamente o mesmo...!!!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sociedade do cunhacimento

SOCIEDADE DO CUNHACIMENTO
 
> Já dizia o meu avô que sem cunhas nada se consegue. Passaram mais de 50 anos e tudo é exactamente como o velhote dizia. Na PT as cunhas passam dos limites e no que respeita aos filhos e familiares de criaturas que estiveram no poder político é um vê se te avias...
 Fazem parte dos quadros da PT os filhos/as de:
- Teixeira dos Santos.
- António Guterres.
- Jorge Sampaio.
- Marcelo Rebelo de Sousa.
- Edite Estrela.
- Jorge Jardim Gonçalves.
- Otelo Saraiva de Carvalho.
- Irmão de Pedro Santana Lopes.
Estão também nos quadros da empresa, ou da subsidiária TMNos filhos de:
- João de Deus Pinheiro.
- Briosa e Gala.
- Jaime Gama.
- José Lamego.
- Luis Todo Bom.
- Álvaro Amaro.
- Manuel Frexes.
- Isabel Damasceno.
Para efeitos de "pareceres jurídicos" a PT recorre habitualmente aos serviços de:
- Freitas do Amaral.
- Vasco Vieira de Almeida.
- Galvão Telles.
Assim, não há lugar para os colegas da faculdade destes meninos, que terminaram os cursos com média superior e muitos estão ou a aguardar
o primeiro emprego, ou no desemprego, ou a trabalhar numa área diferente da da sua licenciatura.
É ou não uma PERFEITA DEMONSTRAÇÃO DA SOCIEDADE DO CUNHACIMENTO?