sexta-feira, 21 de maio de 2010


Pensamento do dia

“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a. “

Adrian Rogers, 1931

domingo, 16 de maio de 2010

foi voç~e que votou neste primeiro-ministro?...


EU TAMBÉM NÃO.

EU NÃO ACREDITO EM CAMBÕES, MAS QUE OS HÁ...

Concursos públicos combinados, subornos ou o velho e simples cambão fazem parte de todas as histórias do mundo da construção. Enredos mais ou menos conspirativos são uma constante em todas as grandes obras: como A negociou com B ou C o resultado do concurso, propostas e preços definidos ao cêntimo para que desde o início decidissem quem ganhava a obra pública. A verdade ou mentira destas histórias tem sempre o mesmo final, quem paga é o contribuinte, pois o Estado acaba por adjudicar obras públicas por um preço muito superior ao justo.
A terceira travessia do Tejo é o exemplo típico de como o contribuinte pode acabar por ser enganado sem dar por isso.
Os factos são estes:
Dois consórcios tinham anunciado que iriam concorrer à ponte, um liderado pela Soares da Costa e outro pela Mota-Engil. À última hora apareceu uma proposta-surpresa liderada pela empresa espanhola FCC. Surpresa maior, a proposta é qualquer coisa como 400 milhões mais barata do que a da Mota-Engil (esta última já ligeiramente mais barata do que a da Soares da Costa).
Do consórcio liderado pela Soares da Costa pouco se ouviu falar neste concurso (já tinham ganhado a construção e gestão do troço entre Poceirão e Caia do TGV, num concurso em que a Mota também concorreu e perdeu). Já o consórcio da Mota-Engil lançou um enorme ataque à proposta da FCC, com argumentos que chegaram ao extremo de dizer que se a ponte fosse construída pelos espanhóis iria cair.
O resultado foi óbvio, o júri do concurso no seu relatório inicial atribuiu à proposta da FCC uma pontuação muito superior, tudo levando a crer que estes sairão vencedores.
Agora, a Mota-Engil já coloca em cima da mesa a possibilidade de se construir não a terceira travessia rodo-ferroviária mas apenas a ferroviária, ou voltarmos à hipótese do túnel entre Algés e Trafaria, o que implicaria a anulação deste concurso e a realização de um novo.
Moral da história, se não fosse a proposta-surpresa da FCC, hoje o Governo estaria a adjudicar uma proposta 400 milhões mais cara para a construção da terceira ponte sobre o rio Tejo. E o contribuinte a pagar!
Claro que temos de esperar pelo custo final de construção da ponte, pois sabemos que existem sempre uns previsíveis 'imprevistos' nas obras que levam a derrapagens milionárias.
E sobre o facto de se estar a atribuir obras a empresas espanholas... bem, eu também prefiro as empresas portuguesas, desde que isso não me custe a mim, a si e aos nossos filhos mais 400 milhões de euros.
Texto publicado na edição do Expresso de 10 de Abril de 2010
de João Vieira Pereira